Doces manhãs num mosteiro – 20/04/2024
Haveria algum ensinamento do Dhamma, mas era essencialmente um tempo pra conversa informal. Eu falava para eles algumas coisas que tinham acontecido no mosteiro na última semana, e eles me atualizavam sobre coisas acontecendo no mundo deles. Eu conhecia a maioria daquelas pessoas desde a minha ordenação, e a atmosfera era calorosa e informal. Era um momento juntos que todos apreciávamos, e contrastava com os protocolos do salão de Dhamma. Os aldeões sempre se comportavam impecavelmente com os monges, mas eles os viam como uma família estendida. Algumas vezes, eles riam indulgentemente do comportamento ou personalidade de um monge júnior. Havia mesmo um pouco de provocação. Um homem mais velho poderia dizer: "Sua voz é muito suave! Você não poderia falar um pouco mais alto? Por favor, tenha compaixão pelos velhos camaradas". Todo mundo ria. E eu responderia: "Quando seus ouvidos eram bons, tudo que você queria ouvir era música. Só agora que seus ouvidos estão arruinados, é que você vem para as palestras do Dhamma. Por que que o erro é meu?" Todo mundo ria.
Antes de vir pra Tailândia, esse era um lado da vida monástica que eu nunca sonhei. E mesmo hoje, tendo se passado anos, tornou-se uma de suas partes mais doces.
Sutilezas do cotidiano que alimentam a alma. Beleza em poder ler.
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