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A arte e as grandes questões da vida - 27/10/2026

Até eu descobrir o budismo, a maior parte da minha educação ética e espiritual veio de romances, peças e filmes. O Rei Lear, de Shakespeare, permanece comigo até hoje. Tirei dele que a bondade é o que mais importa, mesmo que não garanta finais felizes. Ficava comovido pelo cuidado inabalável de Edgar por seu pai, Gloucester, que tão ingenuamente acreditava nas calúnias contra ele. Ficava amedrontado com a determinação cruelmente cega de Gloucester de suportar suas aflições "até que as próprias aflições gritem: 'basta! basta!' e morram". A tragédia de Lear é auto-infligida. Na primeira cena, seu desejo por bajulação (hoje em dia poderíamos dizer "narcisismo") o leva a julgar mal sua filha, Cordélia, e enviá-la ao exílio. Ele interpreta a recusa dela em declarar publicamente a extensão de seu amor por ele como prova de que ela não tem nenhum. Ele assume que o amor pode ser medido e comparado, e que expressões verbais de amor sempre refletem a verdade interi...

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