Lealdade a qualquer preço?
Lealdade é uma palavra com uma certa aura. Parece ser uma coisa obviamente boa, da mesma forma que deslealdade cheira a corrupção moral. Mas a lealdade é sempre uma virtude? E se não, como e sob quais circunstâncias a lealdade se torna tóxica? E o que exatamente queremos dizer com lealdade, afinal?
Uma definição afirma que lealdade implica "uma fidelidade inabalável diante de qualquer tentação de renunciar, desertar ou trair". Dito dessa forma, soa nobre. É comparável à virtude budista de khanti ou tolerância. Mas o conceito de lealdade é uma ideia que levanta uma série de questões:
Deve-se manter o compromisso com uma pessoa ou organização que está causando dano a si mesma e aos outros? Ou isso é, em si, ser desleal aos próprios princípios nos quais seu próprio senso de lealdade se fundamenta?
Ser leal significa: “Meu ****, certo ou errado”, ou há espaço para fazer críticas construtivas?
Como escolher um caminho quando há um conflito de lealdades?
Como evitar que a lealdade se torne tribalismo e fortaleça o apego a ideias divisivas de “nós” e “eles”?
De uma perspectiva budista, eu diria que a lealdade é um compromisso, uma fidelidade que deve ser governada pela sabedoria e alinhada com o Dhamma. Os critérios que usamos para realizar isso são o crescimento e o declínio de dhammas saudáveis naquele que dá e recebe lealdade, e o bem-estar e a felicidade de todos os seres a longo prazo.
Deslealdade soa mal. Mas vociferar que um caminho de conduta é traiçoeiro, traidor ou desleal pode às vezes não ser nada além do que falar sobre algo com raiva. De fato, pode ser simplesmente uma questão de alguém se recusar a fazer a coisa errada.



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