A renúncia como uma reorientação da mente - 10/02/2026

Durante a minha adolescência, antes de fechar os olhos para dormir no final de um dia frustrante, eu costumava colocar para eu mesmo ouvir no meu toca fitas, um pequeno trecho de "The Great Gig in the Sky" (O grande show no céu). A música era interpretada pelo Pink Floyd, minha banda favorita. Para mim, a canção expressava luta emocional, catarse e aceitação de uma forma profundamente satisfatória.

Depois que comecei a meditar, descobri um caminho intermediário entre a indulgência na emoção e a repressão dela, que se tornava cada vez mais natural. Quando me tornei monge, abrir mão da música não foi difícil. Em uma vida dedicada a abandonar o desejo em todas as suas formas, incluindo a excitação, distração e até mesmo o alívio emocional, aquilo parecia um passo óbvio. Às vezes, eu ouvia música na ronda de esmolas ou num veículo e ficava surpreso com o quão cansativa eu a achava. A exceção eram as ondas ocasionais de prazer que eu sentia se a música fosse uma que eu havia gostado no passado. Era um lembrete de quanto o prazer sensual está ligado à memória e à expectativa.

O caminho da prática não se trata tanto de desistir de coisas por meio de atos de vontade. A renúncia é mais uma reorientação da mente. Descobrimos que certas coisas não respondem mais às perguntas que queremos fazer sobre nossas vidas e podem, de fato, nos deixar empacados.

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