Vendo o mundo real com clareza - 15/06/2024

Todos os dias, onde quer que estejamos, com quem quer que estivermos, nossa vida é um fluxo de fenômenos físicos e mentais: formas, sons, odores, sabores, toques, pensamentos, percepções e sensações. Este é o mundo real: o mundo da experiência direta. Ele não é aleatório nem parte de um plano divino. Ele é a manifestação de um fluxo sem início e inimaginavelmente complexo de causas e condições. Sem presença mental e compreensão clara (sati-sampajaññā), um senso de posse domina a consciência. Nós levamos tudo pessoalmente: "eu" vejo, "eu" ouço, "eu" cheiro, "eu" saboreio, "eu" toco, "eu" penso, "eu" percebo, "eu" sinto. Mas com presença mental e compreensão clara, essa noção de posse desaparece. Restam apenas ver, ouvir, cheirar, saborear, tocar, pensar, perceber, e sentir surgindo e cessando. Refletindo sobre isso, percebemos que nossa noção de quem somos, nossa identidade pessoal, não é estável nem confiável. As ideias que temos sobre nós mesmos, as suposições em que baseamos nossas vidas, são dependentes da ausência de sati-sampajaññā. Essa descoberta marcante pode ser tanto emocionante quanto assustadora.

Ao assumir o grande desafio da prática do Dhamma, nós 're-examinamos' e 're-conhecemos' tudo o que tomávamos como certo, de novo e de novo. Aprendemos a ver as matérias-primas da nossa vida com olhos revigorados e imparciais. Embarcamos numa jornada para transcender todas as maneiras pelas quais vimos limitando e restringindo nossa consciência.

 

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