Lembre-se de suas conclusões precipitadas - 13/08/2024

Nós frequentemente ouvimos o conselho de não tirar conclusões precipitadas. Mas não é tão fácil assim. Observei que pessoas inteligentes podem ser especialmente propensas a essa armadilha porque suas conclusões prematuras estão corretas vezes o suficiente para que elas ignorem as vezes em que não estão. Tive sorte na minha própria vida, pois as  ocasiões em que descobri o quanto eu estava errado tenderam a ocorrer em momentos memoráveis.

Uma dessas ocasiões ocorreu durante meu primeiro retiro de meditação, que aconteceu numa grande casa numa pequena vila do sul da Inglaterra. Nós dormíamos em grupos de quatro ou cinco pessoas por quarto. Eu estava muito impressionado com o meditador na cama ao lado da minha. Todo dia na sala de meditação, ele se sentava perfeitamente imóvel com uma coluna ereta desde de manhã cedo até tarde da noite. Ele parecia ter um samādhi muito forte e eu estava ansioso para falar com ele depois do retiro. Às altas horas de certa noite, fui acordado por um som repentino e vi esse homem entrando silenciosamente no quarto. Estava claro que ele tinha saído da casa. Havia uma expressão envergonhada no seu rosto: "Eu não consegui aguentar mais. Estou sentindo tanta falta da minha namorada que quase fugi hoje. Mas falei com ela ao telefone e ela me convenceu a ir até o fim. Desculpe por ter te acordado."

Meu primeiro modelo de comportamento - "será que ele alcançou algum nível de iluminação?" - era um jovem estressado sentindo falta da namorada, sua mente um furacão de pensamentos agitados. Meu conselho: se você já teve uma experiência como essa, não deixe que a memória lhe escape da mente.    

 

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