A falsa sabedoria em retrospectiva – 07/04/2026

Todo mundo é inteligente em retrospectiva. Ou, se não exatamente inteligente, pelo menos mais inteligente. Ao menos é assim que parece. De repente, podemos ver todas as coisas que deveríamos ter feito e não fizemos, que não fizemos e deveríamos ter feito; todas as coisas que deveríamos ter dito e não dissemos, todas as coisas que não deveríamos ter dito, mas que dissemos mesmo assim. Essa sabedoria em retrospectiva é particularmente convincente no processo de se separar de alguém amado. Esquecemos que muitas vezes, por assim dizer, estávamos caminhando sem mapa por um vale nebuloso. Achamos que deveríamos ter feito melhor.

O Buddha nos ensina a reconhecer que muitos fatores complexos e imensuráveis afetam nossas vidas. Nunca podemos ter certeza de que nossas decisões, por mais bem ponderadas que sejam, terão um bom resultado. Encontramos refúgio na sinceridade com que as tomamos, não em seus resultados.

Pode muito bem ter havido ocasiões em que não agimos tão bem ou falamos tão bem quanto poderíamos. As impurezas desempenham um papel constante em nossas vidas. Mas nos repreender por agir com impurezas é tão absurdo quanto dizer que no passado deveríamos ter sido diferentes, pessoas mais puras. É como éramos então, e não como estamos condenados a ser para sempre.

Quando alguém querido falecer, não deixe que a culpa e os arrependimentos e a falsa sabedoria em retrospectiva roubem de você as memórias saudáveis que de outra forma poderiam trazer consolo. Sempre que um pensamento sobre o ente querido surgir em sua mente, não o reprima, não se entregue a ele. Mantenha a imagem em sua mente e envie pensamentos de metta: "Que você esteja bem!" "Que você seja feliz!"

Comentários

Postagens mais visitadas