Considerações sobre ações virtuosas e sua motivação - 31/03/2026

Cínicos frequentemente adotam um tom superior: “Ora, vamos ser honestos sobre o que realmente está acontecendo”, em seus pronunciamentos. O filósofo holandês do século XVII Bernard Mandeville, por exemplo, tinha isso a dizer: “O mais humilde homem vivo deve confessar que a recompensa de uma ação virtuosa consiste de um certo prazer que ele obtém para si mesmo ao contemplar seu próprio valor”.

A ideia aqui, em poucas palavras, é que as pessoas realizam boas ações principalmente pelos bons sentimentos que elas lhes dão. Uma ação chamada virtuosa, portanto, não é tão diferente das consideradas não virtuosas (incluindo, talvez, certas ações más, de acordo com Mandeville). A crença que sustenta essa visão é que devemos aceitar a humilde verdade de que todos somos sempre e inevitavelmente motivados pelo autointeresse.

Alguns pontos: primeiro, o fato de que a lembrança de uma ação virtuosa traz alegria à mente não é prova de que a alegria deve necessariamente ser o objetivo ou a recompensa antecipada do ato. Desejos de fazer do mundo um lugar melhor, de fazer diferença, de ajudar a reduzir o sofrimento não são tão facilmente descartados. Ao lado do amor pelo prazer e pelo eu, o amor pela bondade e pela verdade desempenhou um papel inegável na história humana.

Também, do ponto de vista budista, um ato cometido “a fim de obter o prazer de contemplar o próprio valor” não é, de fato, uma ação virtuosa. É uma transação.

Comentários

Postagens mais visitadas