Um tempo para observar e avaliar nossos hábitos - 21/04/2026
A história de pessoas que se prejudicam em busca da beleza é antiga. O mercúrio tem sido um ingrediente favorito em cosméticos há centenas de anos. Os vitorianos eram devotos de compostos de arsênio, que produziam a desejada "palidez translúcida" da tez, destruindo os glóbulos vermelhos dos usuários. Um composto de chumbo, o Venetian Ceruse, foi por muito tempo o favorito de mulheres que cobiçavam a pele clara e pálida que era um marcador primário de feminilidade e status aristocrático. Isso apesar do fato de que, quando aplicado ao rosto, o chumbo reagia com a umidade para formar um ácido que corroía a pele. A pele ficava descolorida e começava a descamar e a criar cicatrizes. Isso levava a um ciclo vicioso: à medida que a pele das usuárias ficava mais danificada, elas aplicavam camadas mais grossas de ceruse para escondê-la, e assim aceleravam a absorção do chumbo e o envenenamento resultante do cérebro e dos rins.
O estudo da história nos ajuda a reconhecer como a irracionalidade e o comportamento autodestrutivo podem parecer racionais e benéficos, mesmo para pessoas inteligentes. O Buddha recomendou que os budistas leigos observassem oito preceitos, dois dias por mês, em todo dia de uposatha. Abster-se de toda atividade sexual, da refeição noturna, do consumo de notícias e entretenimento e de todo embelezamento do corpo, de forma regular, permite que a pessoa se afaste dos seus hábitos usuais por um curto período, para avaliar o que eles acrescentam à sua vida e o que eles tiram dela.



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