Dhammachanda - 25/07/2026

A meditação começa com o desejo (chanda) de meditar. Esse desejo não é um problema. Pelo contrário, ele deve ser cultivado, faz parte do caminho. Chanda é a primeira das quatro iddhipādas (bases do sucesso). O esforço correto se baseia nesse tipo de desejo.

De fato, o Buddha disse que chanda é a raiz de todo cultivo saudável. O desafio, então, não é abandonar todo desejo, mas apenas aquele que surge da ignorância e das impurezas (tanhā). O desejo ignorante quer obter, desfrutar, experimentar, se livrar, ser, tornar-se. O desejo inteligente quer fazer o bem, criar as causas e condições para a libertação.

A diferença entre esses dois tipos de desejo não é meramente semântica ou filosófica. Ela se baseia no contraste verificável dos efeitos que produzem na mente, e pode ser claramente experimentada pelo praticante do Dhamma.

No Ocidente, tanto estudiosos quanto críticos do Budismo frequentemente negligenciaram a distinção crucial entre desejo saudável e não saudável, sábio e tolo. Isso provavelmente se deve ao fato de não haver termos distintos em inglês (nem em português) para expressá-la. Além disso, a palavra chanda, sendo por si só um termo neutro, pode ocasionalmente aparecer no nome de uma impureza. Kāmachanda, o desejo sensual, o primeiro dos cinco obstáculos, é um exemplo bem conhecido. Mas quando olhamos para o uso que o Buddha mais frequentemente fazia da palavra, ele está usando chanda como uma abreviação de dhammachanda

Seja qual for a razão da inconsistência, o ponto principal é que aumentar e sustentar o tipo certo de motivação para a prática do Dhamma, e ser capaz de discernir entre tanhā e (dhamma) chanda é vital.

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