Nossas dimensões alguém e ninguém - 28/07/2026
O juiz interno, o crítico interno, o avaliador interno, não passam de vozes nas nossas cabeças. Elas parecem autoritárias, mas isso é porque nós as tornamos assim. Somos como crianças que desenham a silhueta de um tigre na parede do quarto, e ficam assustadas com ela.
Há pessoas que se orgulham de serem observadoras pragmáticas da natureza humana, difíceis de enganar. Mas o que elas querem dizer com serem difíceis ou impossíveis de enganar não resiste a muita análise. Geralmente isso se resume a adotarem as interpretações mais negativas das pessoas e das situações como um modo padrão no mundo. Assumir uma atitude cínica como uma atitude realista é um bom sinal de alguém sem consciência de como a mente funciona — ou o mundo. Chega a esse ponto.
O melhor descanso para a mente é sair do mundo "alguém" que todos habitamos em nosso dia a dia, e dar um mergulho refrescante na dimensão "ninguém" que está sempre disponível para nós, se simplesmente nos voltarmos para ela. Apenas algumas respirações conscientes em sequência e nossas identidades como pais, filhos ou filhas, cônjuges, chefes ou funcionários, até mesmo nossos nomes e gênero, desaparecem da consciência. É como se tivéssemos acabado de desligar nossos celulares e nos tornado conscientes do que está realmente acontecendo ao nosso redor. No início praticamos sair da dimensão "alguém" para a dimensão "ninguém", de forma a não ficarmos presos demais no drama das nossas vidas. Mas depois de algum tempo, podemos começar a perceber o "ninguém" brilhando através do "alguém". E isso é algo maravilhoso.



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