Os ventos mundanos e os perigos da mente desatenta - 21/07/2026

Quando cheguei na Tailândia, eu não falava nada de tailandês. Era difícil aprender no mosteiro, pois a maioria dos meus colegas monges e noviços falava o dialeto de Isan (basicamente, laosiano). Então, me esforcei para aprender o dialeto de Isan e logo fiz progresso.

Um dia, eu era um dos assistentes sentados com Ajahn Chah quando um ônibus cheio de gente veio prestar respeitos. Num intervalo da conversa com eles, Ajahn Chah apontou para mim e disse: "Vê aquele noviço ali? Ele não é ocidental; ele é laosiano." (Naquela época o povo de Isan muitas vezes se referia a si mesmo dessa forma). Os leigos me olharam fascinados. Senti-me tão orgulhoso como se Ajahn Chah tivesse pregado uma medalha no meu peito. "Maen bor?" ele me disse, "É verdade?" "Doy khanoi", respondi, "Sim, senhor." Ajahn Chah sorriu radiante para os convidados: "Viram o que eu quero dizer?" Eles ficaram impressionados. Na verdade, naquela época eu não falava mais do que algumas frases básicas. Mas ser elogiado pelo seu professor por qualquer coisa é tão doce.

Depois que os convidados foram embora, Ajahn Chah tirou sua dentadura manchada de betel e jogou na minha direção, dando ordens numa voz rápida e anasalada das quais eu não entendi nada. Ajahn Chah se virou resmungando: "Esse noviço estrangeiro, que tipo de assistente ele é? Não entende uma palavra do que eu digo." Foi uma crítica dura; e foi uma facada no meu coração.

Era assim que Ajahn Chah nos ensinava. Ele não precisava dar discursos de Dhamma sobre elogio e culpa, status e perda de status. Ele nos deixava ver por nós mesmos como essas coisas afetam a mente desatenta, e o quão importante era proteger a mente delas.

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