Uma história curiosa - 14/07/2026

Um dia, já sendo monge por cerca de vinte anos, um apoiador leigo com um dom incomum me perguntou se era verdade que, quando eu era leigo, eu tinha passado um tempo vivendo numa caverna no Himalaia. Respondi que era verdade, no vale de Sutlej, ao norte de Simla, mas que foi só por alguns dias. O apoiador leigo então descreveu a caverna em detalhes e me perguntou se aquela era uma descrição precisa. Eu disse que sim. Ele perguntou: "Por que esta caverna?" Eu disse: acaso. Ele sorriu e disse que num passado distante eu tinha sido um rishi que morreu naquela caverna, e que os ossos ainda estavam sob o chão da caverna. Eu disse que isso era interessante porque, enquanto eu estava lá nesta vida, eu quase havia morrido uma segunda vez.

Aconteceu assim: a caverna era dedicada a uma divindade hindu, e um sacerdote brâmane de uma aldeia próxima incitou o povo local contra mim. Um dia eu saí da caverna depois de uma sessão de meditação e vi o sacerdote liderando uma longa fila de aldeões subindo pela trilha da montanha, muitos deles carregando facões. Eles pareciam enraivecidos. O sacerdote me confrontou, com o rosto vermelho, gritando e gesticulando. Os aldeões pareciam à beira da violência. Felizmente, um professor de escola que falava inglês se adiantou para traduzir para mim.

Neguei as acusações. Ficou claro que o tom razoável do professor estava tendo efeito na multidão. Na minha mente, eu me refugiava numa fórmula simples: "Mantenha a calma. Encontre sua calma e permaneça nela. Mantenha a calma."

Por fim, o bom senso do professor e minha inocência óbvia prevaleceram. Mas, para preservar a dignidade do sacerdote, concordei em ir embora imediatamente. Em poucos minutos, eu já estava partindo.

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