Cultivar
sati nos ajuda a estar conscientes e, assim, protegidos de tentativas de manipulação.
Tentativas de manipulação assumem muitas formas dependendo de seus objetivos: nos fazer acreditar, concordar,
consentir, consumir, fazer algo, não fazer algo, etc. Na maioria dos casos, elas consistem em um apelo implícito ou explícito.
Em alguns apelos a ênfase é em uma forma particular de olhar ou dar sentido às coisas.
Por exemplo, alguém pode tentar nos persuadir a continuar com alguma atividade equivocada,
porque parar tornaria todos os nossos esforços e sacrifícios anteriores sem sentido.
Se conseguirmos nos lembrar a tempo (ter
sati) da "falácia do custo irrecuperável",
nos lembraremos de que perdas sem sentido no passado não justificam nos comprometermos
com mais perdas sem sentido no futuro.
Apelos também são frequentemente feitos com ideias preconcebidas não examinadas em relação à autoridade,
popularidade, tradição e inovação, e a ideias confusas sobre causalidade.
Muitos apelos visam diretamente as emoções: ganância, raiva (a mais efetiva), luxúria, orgulho,
pena, medo de perigos físicos, medo de ser ridicularizado, rejeitado, ignorado.
Sati pode nos manter firmes e calmos nesses tipo de ataque,
mas até mesmo nossos valores e princípios podem ser alvos.
"Desista de X, não seja tão egoísta. Se você fosse realmente altruísta, uma boa pessoa, você escolheria Y."
Os budistas tendem a ser suscetíveis a um apelo à moderação.
Alguém cria dois fatores opostos, os "extremos", e posiciona sua própria visão entre os dois como um "caminho do meio".
Mas um meio-termo entre dois erros não é o caminho do meio do Buddha.
Qual seria o caminho do meio entre o primeiro preceito e matar animais indiscriminadamente?
Não é matar por comida. É o primeiro preceito, não um extremo de forma alguma.
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