Observe o coração, conheça o coração – 08/09/2026

Ajahn Thā, (ou Luang Pu Thā), um dos maiores monges da floresta do século vinte, nasceu em 1909, a apenas alguns quilômetros de distância da aldeia onde Ajahn Chah nasceria nove anos depois. O início da sua vida foi similar à de Ajahn Chah. Ele se tornou noviço aos quinze anos e depois monge por cinco anos. Mas enquanto a frustração de Ajahn Chah com a falta de professores de meditação em Ubon o levou a partir em busca de um no centro da Tailândia, um desiludido Luang Pu Thā deixou o manto e foi trabalhar na fazenda de arroz de sua família.

O ponto de virada na vida de Luang Pu Thā veio quando ele adoeceu de uma doença excruciante que o levou à beira da morte. Em um certo momento, sua tia (que havia criado o órfão Thā) sussurrou urgentemente em seu ouvido: ele deveria se manter recitando internamente o mantra Bud-dho, e fazer um voto de se tornar monge por toda a vida caso se recuperasse. Ele assim o fez, e sua mente entrou em um estado profundo de samādhi. Quando ele emergiu dele, havia tido uma recuperação milagrosa. Algum tempo depois ele se tornou monge pela segunda vez, com Ajahn Mee, um discípulo de Ajahn Man, como seu preceptor.

Quando me estabeleci no Eremitério de Janamara em 2002, Luang Pu Tha estava vivendo em um mosteiro a leste do vilarejo local. Na primeira vez que fui prestar minhas homenagens, ele era um vigoroso senhor de 94 anos. Após aquele primeiro encontro maravilhoso, eu o visitei regularmente até sua morte em 2008.

Luang Pu Tha viveu uma vida de grande simplicidade. Seu ensinamento era similarmente descomplicado e direto. Ele fixava os alunos com um olhar caloroso, mas penetrante, e apontava para seu peito: "Observe o coração. Conheça o coração."

Pratique com verdadeira sinceridade, e você obterá resultados verdadeiros.

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